CONTOS

CONTOS DE NATAL - SR. SCROOGE - A CARUAGEM DE PRATA - MEIAS


NATAL SIMBOLOS E TRADIÇÕES


CONTOS DE NATAL



"Conto de Natal" tornou-se um gênero literário clássico e todo escritor que se preze publicava o seu ou os seus.

Os primeiros contos de Natal estão nos Evangelhos de Mateus e Lucas. São "midrash", ficção, e a eles se pode aplicar o que diz Guimarães Rosa: Se fato é muito belo. Se imaginado, mais belo ainda.

O de Mateus é para leitores judeus. A genealogía começa com o Pai Abraão. Na angústia de José com a gravidez da noiva, transparecem os costumes judaicos. A visita dos Magos do Oriente inspira-se na profecia de Isaias. A informação sobre o local do nascimento é tirada do profeta Miquéias. O grande lamento pelo infanticídio decretado por Herodes foi previsto pelo profeta Jeremias. A estrela guia lembra a coluna de fogo que mostra ao Povo o caminho no Êxodo. o Êxodo também é evocado na fuga para o Egito, no infanticídio e no retorno à Palestina. É reeditada em Jesus a mesma trajetória de Moisés. O novo Moisés.

O destinatário do conto de Lucas é mais universal. A genealogia termina em Deus, passando por Adão. Retroage ao anúncio do nascimento de João Batista. No seu exuberante estilo teatral, Lucas apresenta uma cascata de cenas animadas por diálogos envolventes: Zacarias e o anjo no altar; o anjo e Maria; a visita de Maria a Isabel; o nascimento de João Batista; o nascimento de Jesus e toda a encenação com o decreto do recenseamento, o parto, a convocação angélica dos pastores; a apresentação de Jesus e a louvação do profeta Simeão e da profetisa Ana; a longa sabatina de Jesus pelos doutores da Lei no templo.

Cenógrafo e dramaturgo, Lucas movimenta cenários, pessoas, anjos, luzes, cores, vozes, louvores, Diálogos, poemas sálmicos em profusão. Nasce o Salvador do Mundo!

ESTORINHA DE NATAL

Aos meus filhos pequenos, eu contava a seguinte estorinha:

Zé e Maria moravam em um lugarejo chamado Nazaré. Ze' era como o Tião: pedreiro, carpinteiro, lavrador, fazia de um tudo. Maria estava com um barrigão, esperando um filho.

Um dia, Zé voltou do serviço preocupado e Maria perguntou por quê. Ele disse que tinha saído uma ordem do governo pra todo mundo se alistar no lugar onde nasceu. O prazo era pequeno. Ele tinha de ir para Bélém que ficava a uns 3 ou 4 dias de viagem. Nas vésperas de ser mãe, não convinha que ela fosse junto. Já tinha combinado com seus pais para ela ficar na casa deles.

Maria reagiu. De jeito nenhum! Ia também. Ele não concordava porque a criança estava nasce-não-nasce. Maria teimava que era justamente por isso que tinha de ir pois fazia questão que ele estivesse presente quando a criança viesse ao mundo. Estava grávida mas não estava doente. O peso da barriga era normal. A viagem não ia ser diferente da que ela tinha feito quando foi visitar a prima Isabel. Zé viu que era inútil insistir e acertaram o que tinham de providenciar, prevendo que a criança nascesse. Marcaram a viagem para dois dias depois.

A longa viagem era descrita como uma verdadeira aventura, cheia de detalhes pitorescos, como as crianças gostam e com a ativia participação delas. Subidas e descidas. Fontes, córregos, lagoas. Frutas silvestres, canto de aves, rebanhos pastando, pequenos animais e até cobras em fuga. Paradas para descansar ou comer alguma coisa. Dormida em casas acolhedoras ou mesmo ao relento. O frescor da alvorada, o mormaço do meio dia, a amenidade e a beleza do crepúsculo, o encanto da noite estrelada. Momentos líricos e momentos áridos, momentos de boa disposição e momentos de cansaço. Finalmente a chegada em Belém, já no final da tarde, a sombra da noite caindo e se debatendo contra a luz bruxuleante dos lampiões e das lamparinas que começavam a ser acesos.

Zé, que migrara com a família para a Gali1éia ainda criança, não conhecia ninguém. Milhares de belemitas, peregrinos como ele, superlotavam a cidade e não havia mais vaga nos hotéis, nas pensões e nos alojamentos. Procuraram agasalho em algumas casas. Vendo a gravidez adiantada de Maria, seus donos se desculpavam e fechavam a porta.

Era um desespero. A criança dava sinais de que podia nascer a qualquer momento. Zé e Maria cansados e desanimados sentaram-se em uma pedra a beira da estrada. Maria caiu no choro. Uns pastores viram aquela cena e tiveram pena. Disseram ao Zé que, bem perto dali, havia um estábulo onde poderiam arranchar-se. O casal se arrastou até lá e, mal chegou, o menino nasceu.

Completava a estorinha com empréstimos de Mateus e Lucas. As crianças, já adormecidas, talvez sonhassem com estrela, magos, pastores e uma seresta de anjos.

Charles Dickens

Charles John Huffam Dickens (Portsmouth, 7 de Fevereiro de 1812 — 9 de Junho de 1870), que também adoptou o pseudónimo Boz no início da sua actividade literária, foi o mais popular dos romancistas e autor de Contos de Natal, da era vitoriana. A fama dos seus romances e contos, tanto durante a sua vida como depois, até aos dias de hoje, pode ser comprovada pelo fato de todos os seus livros continuarem a serem editados. Apesar de os seus romances não serem considerados, pelos parâmetros actuais, muito realistas, Dickens contribuiu em grande parte para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa.

Entre os seus maiores clássicos podemos destacar Oliver Twist, A Christmas Carol e David Copperfield.Ilustração de uma antiga edição do livro.

A Christmas Carol é um livro de Charles Dickens. Com várias traduções no Brasil, sendo a mais correta Uma Canção de Natal, o livro foi escrito em menos de um mês originalmente para pagar dívidas, mas tornou-se um dos maiores clássicos natalinos de todos os tempos. Charles Dickens o descreveu como seu "livrinho de Natal", e foi primeiramente publicado em 19 de dezembro de 1843, com ilustrações de John Leech. A história transformou-se instantaneamente num sucesso, vendendo mais de seis mil cópias em uma semana.

Ilustração de uma antiga edição do livro

O MAIS BELO CONTO DE NATAL

O mais belo conto é, sem dúvida alguma a historia do Papai Noel!

No entanto, a nova consciência social aponta para uma mudança nos contos de Natal do futuro. As crianças de hoje ainda podem achar o velhinho Pai Natal de bom tamanho, mas os do futuro podem não acreditar em alguém que não tem cuidado com o peso. Além disso, com a consciência ambiental das crianças de hoje, quem irá achar bem um velhinho que explora as renas, gosta de chaminés e instala uma indústria de brinquedos em pleno Pólo Norte.
Neste Natal,
ponha à prova a sua capacidade de contar históriasa um público muito exigente:as crianças!
Porque não lhes ensina que quer seja um velhinho das florestas geladas da Lapónia ou aquele sentado no trono lá do shopping,
o essencial é que o espírito de Natal, de Amor e de Entrega Incondicional… esse sim é verdadeiro, e é uma grande lição que nos falta aprender!





CONTO DE NATAL

 

Sinopse de um dos mais famosos Conto de Natal de Charles Dickens

SR. SCROOGE (os fantasmas dos Natais)

Ebenezer Scrooge é um homem avarento que não gosta do Natal. Trabalha num escritório em Londres com Bob Cratchit, seu pobre, mas feliz empregado, pai de quatro filhos, com um carinho especial pelo frágil Pequeno Tim, que tem problemas nas pernas.

Imagem:Christmas carol Dickens.jpg

Numa véspera de Natal Scrooge recebe a visita de seu ex-sócio Jacob Marley, morto havia sete anos naquele mesmo dia. Marley diz que seu espírito não pode ter paz, já que não foi bom nem generoso em vida, mas que Scrooge tem uma chance, e por isso três espíritos o visitariam.

O primeiro espírito chega, um ser com uma luz que emanava de sua cabeça e um apagador de velas embaixo do braço à guisa de chapéu. Este é o Espírito dos Natais Passados, que leva Scrooge de volta no tempo e mostra sua adolescência e o início da sua vida adulta, quando Scrooge ainda amava o Natal. Triste com as lembranças, Scrooge enfia o chapéu na cabeça do espírito, ocultando a luz. O espírito desaparece deixando Scrooge de volta ao seu quarto.

O segundo espírito, o do Natal do Presente, é um gigante risonho com uma coroa de azevinho e uma tocha na mão. Ele mostra a Scrooge as celebrações do presente, incluindo a humilde comemoração natalina dos Cratchit, onde vê que, apesar de pobre, a família de seu empregado é muito feliz e unida. A tocha na mão do espírito tem a utilidade de dar um sabor especial à ceia daqueles que fossem "contemplados" com sua luz. No fim da viagem, o espírito revela sob seu manto duas crianças de caras terríveis, a Ignorância e a Miséria, e pede que os homens tenham cuidado com elas. Depois disso vai embora.

O terceiro espírito, o dos Natais Futuros, apresenta-se como uma figura alta envolta num traje negro que oculta seu rosto, deixando apenas uma mão aparente. O espírito não diz nada, mas aponta, e mostra a Scrooge sua morte solitária, sem amigos.

Após a visita dos três espíritos, Scrooge amanhece como um outro homem. Passa a amar o espírito de Natal, e a ser generoso com os que precisavam, e a ajudar seu empregado Bob Cratchit, tornando-se um segundo pai para Pequeno Tim. Diz-se que ninguém celebrava o Natal com mais entusiasmo que ele.

CHARLES DICKENS

 

 



 

CONTO DE NATAL

A Carruagem de Prata

Já passei uma vez por uma situação dessa. Eu tinha organizado uma festa de Natal para reunir amigos solitários, mas bem antes da ceia já desejava que tudo aquilo acabasse. Não podia suportar mais o caos em que se transformara o meu apartamento, na vã tentativa que todos faziamos para nos enganarmos mutuamente, fingindo, se não felicidade, pelo menos alegria. Nessas festas a gente perde o controle total sobre os convidados. Eles nunca aparecem sozinhos. Uma reunião planejada para um grupo de dez pessoas acaba contando com o dobro, muitas vezes até mais. Muitos que estiveram lá aquela noite eu seria incapaz de reconhecer mesmo que esbarrasem em mim no dia seguinte, nos corredores do prédio. Mas aquele homem chamou a minha atenção. Não foi porque se vestia de maneira simples e até fora de moda, eu não dava atenção a isso. Além do mais os meus amigos não têm o menor senso para se vestirem. Ele
chamou a minha atenção porque era descomunalmente alto. Passara o tempo todo bebendo junto à janela, olhando para fora, vendo não sei o quê, já que ali do vigésimo andar não havia muito para se ver, exceto a chuva. Tentei descobrir com quem viera, mas ninguém sabia. Como boa e curiosa anfitriã me aproximei, mas ele não me deu papo. Eu já tinha problemas de mais para esquecer e não insisti em arrumar mais um. Deixei-o em paz.

Certa altura da noite, tendo esgotado toda a minha imaginação para fazer com que a festa ficasse animada, resolvi sservir a ceia mais cedo para que todos fossem embora e eu pudesse ficar sozinha outra vez, como sempre. Estava indo para a cozinha dar as últimas ordens quando, não sei de quem surgiu a idéia de que cada um de nós deveria contar uma história de Natal, como aqui agora, talvez com o objetivo de nos ligarmos mais uns aos outros, de introduzirmos na festa um toque de ternura e emoção. Três ou quatro pessoas falaram, não me lembro bem quantas, mas a idéia não surtiu o efeito desejado. As histórias eram insípidas, sem nenhum encantamento, pelo menos para quem ouvia. Notando sinais de impaciência em alguns convidados, bocejos disfarçados, achei melhor parar com aquilo e partir para a servir a ceia. Antes que eu pudesse tomar qualquer atitude, o homem assombrosamente alto e visivelmente bêbado disse que gostaria de contar uma história que tinha se passado ali, no lugar onde hoje se erguia o meu edifício, quando nada mais havia do que uma casa velha com cômodos para alugar, um armazém e um botequim da pior espécie. A curiosidade em torno, não da história que viria a ser contada, mas do homem alto fez com que eu me sentasse novamente. Percebi que a curiosidade era de todos. Posicionaram-se nos seus assentos, bocejos foram contidos. Todos olharam atentamente para o estranho convidado como se só então o tivessem notado. Ao perceber que era o centro das atenções ele se desencostou rumando para o centro da sala, ficando mais alto ainda. Seu corpo magro tentava manter o equilíbrio, as pernas meio abertas, um copo na mão e na outra o cigarro. e o que ele contou naquela noite, sem interrupção, foi mais ou menos o que vou contar aqui, com diferenças apenas de sinônimos e pontuação.

"Ana e Acácio Fernandes eram um casal de sitiantes que viviam em um lugarejo não muito distante dessa cidade. Tiveram dois filhos, Davi e Tonhão. Davi era acomodado, só queria cuidar do sítio e nada mais.Tonhão, sonhador, vivia inventando coisas, histórias incríveis que divertiam a todos que o ouviam. Muitos achavam até que não era bom da cabeça. ,Depois que os pais morreram, um em pleno luto do outro, Tonhão deixou o sítio para o irmão e foi correr mundo. Durante muitos anos nada se soube dele, até que em certo Natal ele voltou. Trazia com ele um menino. Tinha se casado e sido feliz. Com a morte da mulher estava meio desnorteado, não sabia o que fazer com o filho e nem com ele mesmo. Precisava deixá-lo por uns tempos até arranjar um novo emprego e um lugar para viver com o menino. Daví, que havia se casado também e não tinha filhos, ficou encantado com a possibilidade de ter uma criança em casa. O menino era tal e qual o pai, inventivo e sonhador, acreditando em coisas impossíveis. A despedida de ambos foi patética. Tonhão, entre lágrimas, prometeu ao filho que voltaria para buscá-lo no próximo Natal, em uma carruagem de prata puxada por cavalos brancos. Prometeu ainda que se ele fosse um bom menino e o deixasse partir, lhe daria então o relógio de bolso como presente, o relógio que ganhara do pai e o pai do avô. Animado com a promessa, mas sem deixar de chorar, o filho consentiu em ficar. Tonhão então foi embora, sem olhar para trás nem uma vez. Tinha medo de fraquejar.

Durante aquele ano o menin o contou os dias que o separavam do pai. Nem uma só noite deixou de sonhar com a carruagem de prata e nem por um minuto duvidou que o pai voltasse embora o tio, preocupado com a provável decepção, tentasse preparar o menino para a realidade. Na cidade grande Tonhão nada conseguia. A morte da mulher tinha acabado com ele e nem mesmo a saudade que sentia do filho foi capaz de ajudá-lo. Envolveu-se logo com vagabundos, desocupados, fracassados. Vivia de botequim em botequim, bebendo. Não conseguiu juntar dinheiro suficiente para ir buscar o filho, como havia prometido. Mas, nas noites de beberragem afirmava que cumpriria a promessa, que iria ver o filho em uma carruagem de prata para lhe levar o relógio. A carruagem de prata passou a ser o motivo preferido das brincadeiras dos amigos. Lá estava o Tonhão quieto, encostado no balcão bebendo quando entre um trago e outro alguém gritava: "Lá vem sua carruagem, Tonhão." Ele não se abalava. Continuava a beber e a afirmar que iria mesmo, haveriam de ver para crer.

Na noite de Natal, Tonhão bebeu mais do que nas outras noites. Os amigos, mudamente acordados, não falaram da carruagem uma só vez. Em certo momento, por entre o barulho de copos, garrafas, risos e gritos, pareceu a todos, embora não confessassem nem a si mesmos, que ouviam um barulho de cascos e rodas. Todos levantaram a cabeça para ouvir melhor e por um instante se fez silêncio de claustro no botequim. Tonhão desencostou-se do balcão como se impulsionado por uma força maior. Tirou o relógio do bolso, olhou-o e disse, a voz ressoando e preenchendo todo o vazio de som: "Está na hora de ir". E foi-se. Passada a estupefação todos voltaram para a bebida, esquecidos o incidente, se enganando a respeito. Menos um: Ditão. Aquela impressaõ de cascos e rodas ficou latejando em sua cabeça e depois de mais uns goles, resolveu verificar. Encontrou Tonhão a poucos passos dali, caído, a cabeça sobre uma pedra, morto. O relógio havia desaparecido. Roubo, disseram. E esqueceram. A imagem do menino esperando pelo pai porém, não deixava de incomodar a insônia de Ditão. Ele também esperara muito tempo por um pai que nunca viera. Indagando daqui e dali, juntando pedaços de lembrança, descobriu onde vivia o irmão de Tonhão. Assim que conseguiu algum dinheiro, foi até lá. quieria falar com o garoto, contar do pai e de seu amor. Mas não precisou chegar até ao sítio do Davi para saber o que acontecera lá, naquela noite de Natal, a mesma em que Tonhão morrera. Ali na vila mesmo, em um canto de balcão ficou sabendo. Naquela noite Davi e a mulher custaram a adormecer o menino febril, que esperava pelo pai. Assim que conseguiram, sairam para a Missa do Galo deixando a criança com o casal de empregados. Chovia muito.Quando voltaram, Davi ao descer do carro para abrir a porteira, viu um vulto caído.Foi ver o que era, pensando em um de seus animais, bezerrinho extraviado do abrigo. Era o menino. Morto.Tinha batido a cabeça em uma pedra. Nas mãos, trazia apertado, o relógio do pai."

Quando ele acabou de falar, ficamos todos em silêncio. Ele tirou o relógio do bolso e disse: "Está na hora de ir". Ninguém se lembra como ele saiu. Ninguém viu. Mas eu juro. Todos ouvimos barulho de cascos e rodas. Mesmo dali, do vigésimo andar.

Maria Olimpia Alves de Melo

 

 



 

CONTO DE NATAL

MEIAS

Ivan Jubert Guimarães


No Viaduto do Chá, parado em uma banca de jornais, o homem lia as manchetes do dia que falavam no aumento de vendas das lojas. Nas revistas especializadas em economia, as matérias falavam do crescimento econômico e no aquecimento do mercado. A paisagem mostrava pessoas num corre-corre frenético, como de hábito acontece numa grande cidade. Muitas delas passavam carregando sacolas e pacotes e todas pareciam apressadas. Indiferente a toda essa correria, o homem continuou vendo os jornais. Cabeça inclinada, mãos nos bolsos, vazios, parecia não entender o que se passava. Vez por outra, olhava para o lado e via com ar de indignação a correria das pessoas. Afastou-se da banca e debruçou-se sobre a grade do viaduto e ficou olhando o movimento lá de baixo. Saíra cedo de casa à procura do trabalho que lhe garantisse ao menos um frango no jantar. Todos dormiam em casa quando ele saiu. Beijou a esposa e a filha. A menina dormia de meias e o dedão do pé aparecia inteiro em uma delas. Puxou suavemente a ponta da meia para cobrir o dedo da filha. Uma lágrima correu-lhe pela face. Era véspera de Natal e ele continuava de pé na amurada do viaduto. Nem reparou na chuva de papéis picados que caia das janelas dos edifícios. Também não sentiu a chuva de verdade que começara a cair. O movimento tornara-se menos intenso. As pessoas começavam a ir para suas casas. Algumas lojas começavam a fechar suas portas. Os bares estavam lotados. As pessoas bebiam e falavam alto. Aos poucos o movimento ia diminuindo e a cidade foi ficando vazia. Quando a noite chegou o homem pensou se voltava ou não para sua casa. Afastou a idéia de pular do viaduto, embora nessa hora a morte não lhe parecesse assim tão horrivel. Caminhou pela já deserta rua Direita pensando no que fazer da vida. Na porta de uma loja fechada viu um Papai Noel sentado. Pensou consigo mesmo que ali estava mais um infeliz. Olhou para o homem e notou que alguma coisa nele lhe era familiar. Parou e ficou olhando. O homem levantou a cabeça e disse: aproxime-se, estava esperando você chegar. Ele foi de encontro ao Papai Noel e sentou-se a seu lado e por um momento ficaram ambos em silêncio.- Parece que seu Natal não está nada bom, disse o Papai Noel. - É verdade, respondeu. - Estou desempregado, sem dinheiro e com fome. O Papai Noel começou a falar do passado e o homem começou a ver sua vida passar em sua mente. Viu que naquele instante, um monte de gente fazia um movimento diferente daquele que ele observou durante todo o dia. Eram pessoas catando coisas do chão, deitando sob as marquises das lojas. Viu que não estava sozinho. Tinha uma família esperando em casa. Levantou-se cheio de coragem e quando ia se despedir do Papai Noel, este tirou do bolso alguns trocados e um pequeno embrulho e colocou tudo na mão do homem dizendo: - Isto é para o ônibus e este embrulho é algo que roubei da loja. Talvez possa ser útil para você. Tenha um Natal muito feliz. O homem pegou o que Papai Noel lhe entregava e partiu. No ônibus, a caminho de casa, abriu o pequeno embrulho e o que viu encheu-lhe os olhos de água: era o mais lindo par de meias que tinha visto.

 


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